To: AUDITORIO From: Paulo Resende da Silva Subject: [APGC2005] Gestao do Conhecimento e Aprendizagem --------------------------------------------------------------- Msg de "Paulo Resende da Silva" --------------------------------------------------------------- Bom dia, PARA TODOS OS ORADORES E TAMBÉM PARA A MODERADORA Gostava de explorar os conceitos de informação e conhecimento numa perspectiva mais alargada, incluindo a temática da CoP. Creio que existe a dificuldade de uma forma clara distinguir Informação de Conhecimento. Davenport já nos explicou a distinção entre estes dois conceitos ontem, mas mesmo assim creio que as dúvidas se mantêm. Se assumirmos informação como dados com um determinado padrão de leitura e compreensão do mesmo (visão de Le-Moigne em 1978) e conhecimento como a minha própria capacidade de interpretação da informação recepcionada para a interiorizar visando construir a minha matriz de conhecimento pessoal, então o que distingue as duas está no sujeito e não na própria concepção dos dois vocábulos. O problema é olharmos para estes dois conceitos em termos organizacionais, procurando usando os instrumentos de gestão e as ferramentas proporcionadas pelos sistemas de informação e as tecnologias de informação. Neste caso, a confusão, na maioria dos casos, é muito grande. É neste enquadramento que desejava explorar a seguintes abordagem, olhar para estes conceitos de uma forma mais distendida, ou seja, não focalizarmo-nos exclusivamente nos dois para abordarmos quatro: informação à conhecimento à saberes à competências Temos de aceder a informação para ter conhecimento, que quando assimilado e interiorizado se constroem saberes, que quando exercidos determinam e consolidam as competências pessoas ou organizacionais. Neste momento introduzir a ligação das CoP nesta abordagem, porque a mesma permite potenciar o conhecimento pessoal e organizacional pela "explosão" da informação comunicada e disponível na comunidade em termos das experiências e vivências (os saberes e as competências). Temos assim: gestão da informação, gestão do conhecimento, gestão das competências e gestão da aprendizagem organizacional. Temos em resumo: gestão do "processo de consolidação da mudança desejada". Problema: quais os contextos facilitadores desta mudança? Paulo Resende da Silva Dep. Gestao - Univ Evora Largo dos Colegiais, 2 7000-803 Portugal pfs@uevora.pt (351) 266740892 (351) 266742494 (351) 965702915 To: AUDITORIO From: Leonor Cardoso Subject: [APGC2005] Mensagem da Moderadora --------------------------------------------------------------- Msg de "Leonor Cardoso" --------------------------------------------------------------- Bom dia a todos. Hoje é quinta-feira e amanhã encerraremos esta semana dedicada à gestão do conhecimento e à aprendizagem individual e organizacional. No início dos trabalhos, os oradores partilharam connosco o seu entendimento acerca de um conjunto de questões relacionado com o tema em debate, dando origem a perguntas que têm vindo a ser por eles respondidas. Apesar de ser do conhecimento geral que Debra Wallace teria que ausentar-se, certamente que todos estranharam o seu silêncio. De facto, foram-lhe dirigidas algumas questões que poderiam ter sido respondidas, porque anteriormente formuladas, e não o foram. Apenas hoje percebi as razões de tal silêncio. Uma falha minha impediu-a de receber as mensagens que lhe enviava. Por este facto vos peço desculpa. Às vezes quanto mais queremos que tudo "corra sobre rodas", mais falhas acontecem. Entretanto, tal como nos havia já assegurado, a Debra responderá às questões formuladas assim que regresse. Um abraço para todos Leonor Cardoso To: AUDITORIO From: Mark McElroy Subject: Re: [APGC2005] Saudacao Mark McElroy --------------------------------------------------------------- Msg de Mark McElroy --------------------------------------------------------------- Envio-lhe um link com uma mais completa descrição do que refiro no slide 26: http://www.knowledgebusiness.com/knowledgebusiness/upload/2004NAMAKE-ES Espero que ajude. Cumprimentos Mark `As 15:21 19/1/2005 -0200, danieldamelio disse: >Gostaria de entender um pouco mais as práticas adotadas de KMs pelas >empresas citadas a partir do slide 26. To: AUDITORIO From: "Cassapo, Filipe Miguel" Subject: Re: [APGC2005] Informacao e Conhecimento --------------------------------------------------------------- Msg de "Cassapo, Filipe Miguel" --------------------------------------------------------------- Acredito que o problema da diferenciação entre informação e conhecimento, ou melhor, entre tangível e intangível, é bem mais problemática do que pode parecer, no contexto organizacional. Efetivamente, em primeira abordagem, conhecimento e informação podem parecer tão parecidos (i.e.: não seria através destas linhas, que consigo formar novos conceitos?) que uma diferenciação pragmática para o gestor poderia parecer artificial. Ou seja, se informação e conhecimento são efetivamente "da mesma natureza", faz sentido falar "base de conhecimento". Porém, nesta abordagem monista (ie: tudo é "informação"), um problema gerencial insolúvel aparece: se informação e conhecimento são "da mesma natureza", e que informação, como ativo tangível, pode ser quantificada e gerenciada como um ativo físico, porquê precisaríamos de uma nova disciplina chamada de "Gestão do Conhecimento"? Basta, neste caso, tratar o ativo conhecimento como um "objeto", e gerenciá-lo em conseqüência: devemos construir repositórios de conhecimento, manter controles quantitativos do giro deste ativo, etc. Bem, agora surge aqui um problema central: sentimos intuitivamente (e a epistemologia nos mostra) que este ativo (o conhecimento) é algo diferente dos outros ativos (tangíveis) que conhecemos... Ele não responde a nossa aritmética: 1 bit + 1 bit = 2 bits (ativo tangível), 1 idéia + 1 idéia =??? (10, 5, -1?). Se o conhecimento não é tangível, não é informação, então, o que é? Uma reposta seria: ele é o "fenômeno emergente" (utilizando uma linguagem epistemológica), ou um "processo" (em uma linguagem mais adequada para os negócios), é algo que, nas condições adequadas, "acontece". Esta é uma proposta dualista: de um lado temos o tangível (objetos, dos quais a informação faz parte), e de o outro lado, o intangível (o conhecimento). Qual a importância destas considerações para a gestão do conhecimento? Primeiro, se falamos efetivamente em "gestão", ou seja, rastreamento quantificado permitindo tomadas de decisão científicas, temos um problema muito sério: como gerenciar o intangível com um ferramental matemático preparado para lidar com ativos tangíveis? Será que o conhecimento pode ser efetivamente "gerenciado", ou será que, por natureza, ele é in-gerenciável? Em segundo lugar, se não pode ser gerenciado, como então transformá-lo em vantagem competitiva? Surge aqui a proposta da chamada "engenharia sócio-cognitiva" ("Autopoietic Societies: A Hermeneutic Approach to Socio-Cognitive Engineering", 5th European Conference on Organizacional Knowledge, Learning, and Capabilities), que visa, não em gerenciar o conhecimento, mas em gerenciar *as condições nas quais a criatividade pode emergir e ser mobilizada para implementar os objetivos estratégicos da organização*. Em palavras mais comuns podemos propor uma dicot omia entre: 1. "as bases de conhecimento", que são, no mínimo abusos de linguagem (não existe algo como uma "base de conhecimento" se o conhecimento não é objeto); 2. "as redes sócio-cognitivas" (das quais as comunidades de prática fazem parte) que são os catalisadores efetivos de um posicionamento competitivo baseado no crescimento orientado do conhecimento na organização. Estas são duas abordagens extremamente diferentes nas organizações. Vi muitas vezes as abordagens de tipo (1) fracassar, enquanto as abordagens de tipo (2), na minha experiência, estão trazendo resultados efetivos. Atenciosamente, Filipe M. Cassapo, MSc Siemens Ltda. CIO IK - Information & Knowledge Management Tel: +55 11 39082912 E-mail: filipe@siemens.com Mobile: +55 11 81119019 http://www.siemens.com.br Siemens Brasil 2005 * 100 ANOS To: AUDITORIO From: Ricardo Saldanha - Diretor Executivo Intranet Portal Subject: Re: [APGC2005] Resposta de Rodrigo Baroni p/Ricardo Vidigal --------------------------------------------------------------- Msg de "Ricardo Saldanha - Diretor Executivo Intranet Portal" --------------------------------------------------------------- Baroni e Ricardo, Permitam-me colocar um pouco de lenha nessa fogueira sobre portais corporativos... gostaria de saber a opinião de vocês a respeito dos comentários abaixo. Baroni, você cita na sua apresentação, com muita propriedade, a necessidade de considerar o portal corporativo um processo. Estamos totalmente alinhados, sendo que costumo falar em "programa de portal", composto de diversos projetos, como você também salienta. Mas um ponto que não me pareceu claro é a necessidade de tentarmos construir, na fase de planejamento, um norteador muito claro para o portal corporativo, a partir de um diagnóstico consistente. Você não acha que um dos grandes problemas é que o portal quase sempre é montado como uma colcha de retalhos, sem a preocupação com este diagnóstico e planejamento prévios? Como vê isso? Meu medo é deixarmos a impressão de que os pequenos projetos são os famigerados projetos-piloto (hoje, quando escuto falar em projeto-piloto, me dá sempre aquela sensação de algo sem patrocinador e/ou "subversivo" - logo, sem futuro). Isso tudo está diretamente ligado a outro aspecto citado pelo Ricardo: a questão da conquista da alta direção... Sem um business plan para o portal, quem vai colocar dinheiro? Eu não colocaria. Chegamos, então, à provocação final: será que a "culpa" pelo fracasso dos projetos de portal não está justamente no fato de que eles normalmente são iniciativas amadoras, espasmódicas e inconsistentes, que não conseguem provar antecipadamente o valor que podem ter para a estratégia e para a organização? []s, Ricardo Saldanha Diretor Executivo do site Intranet Portal www.intranetportal.com.br -----Mensagem original----- > Se a intranet ja' existe, o meu conselho e' colocar a luz nas boas >experiencias. Por exemplo, se o depto de contabilidade tem sido um usuario ...snip... > " Qual foi o ROI obtido pelo descobrimento de Cabral ?" Sera' que o rei de >Portugal ficou convencido com o resultado ? Ao meu ver, isso se conquista com resultados concretos, consistentes e frequentes, mesmo que em menor escala. E' cumprir o que foi prometido. Nao da' para tentar assar um boi com uma unica brasinha acesa na churrasqueira. Mas da' para servir alguns aperitivos e mostrar do que se e' capaz de fazer. To: AUDITORIO From: Mark McElroy Subject: Re: [APGC2005] Pergunta para o Mark --------------------------------------------------------------- Msg de Mark McElroy --------------------------------------------------------------- Queridos amigos. Obrigado pelas vossas perguntas. As minhas respostas vêm a seguir. Ricardo, colocas-me uma questão que é de difícil resposta considerando que alguém tem que estar permanentemente a traduzir de língua para língua. Vamos tentar. Na generalidade, concordo com o que é dito no artigo que me enviaste, mas discordo com a conclusão. Discordo porque ela, efectivamente, levanta a maioria dos problemas que eu refiro no meu slide nº 2, mas não os resolve. Em vez disso, meramente os desloca de um contexto para outro, deixando intactos os problemas essenciais da gestão do conhecimento. Por exemplo, o autor forneceu uma clara distinção entre o conhecimento e a informação e entre GC e GI? Não! O autor refere algum modelo de referência para o processamento do conhecimento? Não! Portanto o artigo que mandaste simplesmente perpetua a confusão sobre o que é a GC e como fazê-lo. Isto é insustentável. A seguir dizes que o conhecimento aprendido só pode ser armazenado na mente do seu detentor. Em vez de discutir definições, deixa-me fazer-te uma pergunta: é ainda conhecimento o conhecimento mental que se revela falso? Se sim, como deveríamos distinguir crenças verdadeiras (ou que consideramos verdadeiras) e crenças que consideramos falsas? E se eu estou a pensar numa crença que sei ser falsa, é verdadeira a crença em que estou a pensar? Claro que não. Do mesmo modo, se eu escrever uma afirmação que considero verdadeira esta afirmação é "conhecimento" ou simplesmente "informação"? Se eu escrever uma afirmação que eu considero falsa, essa afirmação é "conhecimento" ou "informação"? Na minha opinião, o que eu quero sugerir- te é que o que diferencia o conhecimento da informação é uma questão de veracidade ou falsidade. Contudo, não defendo que todo o conhecimento seja inquestionavelmente verdadeiro. Em vez disso, defendo que o conhecimento consiste em crenças ou opiniões que nós julgamos que podem ser verdadeiras e que nos ajudam a resolver os nossos problemas e a adaptarmo-nos. Se tal estrutura de informação assume a forma escrita, então podemos dizer que é conhecimento, pese embora o facto de ter uma forma linguística e não só mental. Portanto, o conhecimento é um tipo de informação. É um tipo que nós pensamos ou defendemos ser verdadeiro, mas que pode não ser, porque somos falíveis. Uma "opinião expressa", contudo, não é um pensamento, é uma afirmação que pode ser escrita ou falada. Portanto, o conhecimento pode ser expresso numa forma linguística. De facto, é através da linguagem que nós passamos o conhecimento de uma pessoa para outra. Assim, se consideramos que o conhecimento apenas reside na mente de uma pessoa, então devemos admitir que nunca pode ser expresso, nem partilhado, nem comunicado, de uma pessoa para outra, e isso para mim "são disparates". Prefiro considerar o conhecimento como tendo mais do que uma forma. Porque tem de assumir uma só forma? De facto, tem três formas: primeiro: 1. conhecimento mental (nas mentes), 2. conhecimento cultural (em expressões linguísticas, como discursos ou documentos), e 3. conhecimento físico (tal como uma forma sinpática ou genética). Todas estas formas são codificações não aleatórias de informação que podem ajudar os sistemas que as produziram a resolver os seus problemas e a adaptar-se. Por outras palavras, são codificações de informação que nós agora "pensamos" ou "expressamos" ou "incorporamos" como sendo instrumentais para a nossa sobrevivência, e que nos ajudam a agir eficazmente - esperamos! Esta é o tipo de distinção entre a informação e o conhecimento que importa para a GC. O artigo que me mandaste não faz esta distinção, e só perpetua a confusão entre estes termos, mesmo quando tenta rejeitar uma forma de GC que considera "ineficaz". Considero que isto é igualmente ineficaz. A seguir dizes que "o conhecimento é um acto de descoberta, de insight, de experiência, de fascínio, conceitos que jamais a linguagem das máquinas irá ter". Respondendo, eu digo: são verdadeiras todas as descobertas? São correctos todos os insights? Todas as experiências são fiáveis? Mais tarde ou mais cedo temos de enfrentar a questão da veracidade ou falsidade. Para mim é inaceitável que a gestão do "conhecimento" se afaste deste tema. Isso, como sabes, está parcialmente na origem das afirmações que faço sobre a insustentabilidade da tendência dominante da GC. Simplesmente não confronta a parte da informação que é mais importante para nós na vida: veracidade ou falsidade? `As 00:32 19/1/2005 -0200, Ricardo Vidigal da Silva disse: >Numa lista de discussão sobre Gestão do Conhecimento em que costumo >participar foi recentemente discutido um artigo que anexo (e que peço a ...snip... >estará a criar num novo sistema de dogmas anti-corporativos ? > > > >Anexo: http://www.aquifolium.com/apgc2005/CMb_KnowledgeSharing.pdf To: AUDITORIO From: Tom Davenport Subject: Re: [APGC2005] Gestao do Conhecimento e Aprendizagem --------------------------------------------------------------- Msg de Tom Davenport --------------------------------------------------------------- Eu sempre senti que a definição de conhecimento (ou informação ou sabedoria ou o que quer que seja) é arbitrária, embora cada definição tenha consequências. Nos primórdios da GC, havia um elevado interesse na definição de conhecimento, bem como de conceitos com ele relacionados. Actualmente, a maioria das organizações apenas quer prosseguir gerindo a informação e o conhecimento. Repetindo, não há uma resposta certa, mas para mim e para as organizações com quem trabalho ter quatro categorias de conteúdo (não incluindo os dados) confundiria gestores e utilizadores, não os esclareceria. Estas organizações já apresentam dificuldades em lidar com "conhecimento", sendo, portanto, previsíveis dificuldades acrescidas para lidar com "saberes" e "competências". Portanto, quem interroga não está concerteza errado, mas acredito que as consequências de uma adopção alargada da sua definição e categorização seriam negativas. `As 08:58 20/1/2005 -0200, Paulo Resende da Silva disse: >Temos assim: gestão da informação, gestão do conhecimento, gestão das >competências e gestão da aprendizagem organizacional. Temos em resumo: >gestão do "processo de consolidação da mudança desejada". Problema: quais os >contextos facilitadores desta mudança? To: AUDITORIO From: "Cassapo, Filipe Miguel" Subject: Re: [APGC2005] Pergunta para o Mark --------------------------------------------------------------- Msg de "Cassapo, Filipe Miguel" --------------------------------------------------------------- Caros amigos. Excelente Debate! Deixem-me, por favor, colocar um pouco mais de lenha no fogo: o problema da "verdade", me parece ser subjetivo, não porquê não existe uma verdade "em si", como fato "objetivo do mundo", mas porque minha percepção do mundo não é objetiva. Ou seja, se creio que "Pegasus é um cavalo com ases", esta se torna uma verdade subjetiva (que também encontra-se ser uma verdade objetiva, para mim), logo, um conhecimento para mim. O pensamento de uma afirmação que sei ser falsa ("Roma é a Capital da Rússia"), deixe de ser conhecimento, do ponto de vista do seu conteúdo, mas não deixe de ser um conhecimento (uma crença subjetiva), em si: sei que (ou melhor, creio que), "o fato de pensar que Roma é a capital da Russia é errado". Uma definição clara do que seria "conhecimento", e de o que seria "informação", é algo extremamente complexo (são vários, a vários milhares de anos, os filósofos tentando propor um posicionamento). Porém, acredito que deve sim, se dife renci ar o conhecimento da informação, pois a informação é *independente do ser cognitivo*, enquanto o conhecimento é *o fato do ser cognitivo*, sua essência. Desta forma, e contrariamente a proposta do funcionalismo (Funcionalism, de Fodor, ou Chomsky, na 1a Cibernética), os fenômenos físicos de transferência de conhecimento (discurso, body-language, hormônios, ADN, etc.) não são conhecimento, eles são pura informação. O conhecimento é o enquadramento cognitivo da informação, ou seja, a transformação do ser cognitivo. A pergunta natural que surge é: o que é, então, "um ser cognitivo"? Pessoalmente, gosto da definição de Maturana e Varella: cognição = autopoièse (autopoiesis). A dicotomia informação / conhecimento não nos força a viver um mundo solíptico (Solipsism), pois podemos verificar, apesar destas entidades serem diferentes, que existem processos de transformação de um no outro (o que não impede que sejam entidades diferentes). A importância destas considerações, para a impl ement ação de uma "gestão do conhecimento" em uma organização é decisiva: em uma abordagem dualista, a informação deixa de ser um fim, ela se torna um meio, e isto leva a uma racionalização do uso de sistemas de informação, o que aumenta a produtividade dos colaboradores da organização. Filipe -----Original Message----- >Ricardo, colocas-me uma questão que é de difícil resposta considerando que >alguém tem que estar permanentemente a traduzir de língua para língua. Vamos ...snip... >a parte da informação que é mais importante para nós na vida: veracidade ou >falsidade? To: AUDITORIO From: Rodrigo Baroni Subject: [APGC2005] Portais e Planejamento - Resposta de Baroni p/Saldanha --------------------------------------------------------------- Msg de Rodrigo Baroni --------------------------------------------------------------- Pessoal, Muita boa a questao levantada pelo Saldanha. Compartilho a opiniao de que a intranet/portal deva ter uma visao de futuro, um "business plan" para que nao seja retalhada em uma serie de projetos desconexos. Para que o portal atinja a tao sonhada maturidade, e' preciso que exista no minimo uma equipe alocada razoavelmente estavel e uma dotacao orcamentaria especifica para tal ao longo de pelo menos 2 anos, dependendo do estagio em que a empresa se encontra. E' claro que esse "programa de portal" (usando a expressao do Saldanha) pode e deve ser subdividido em projetos menores que trarao resultados concretos ao longo do caminho. O problema do projeto piloto e' saber escolher bem o piloto. Na teoria, deve ser um projeto de medio porte e de media complexidade, que sirva de laboratorio para as novas tecnologias e conceitos. Precisa tambem ter uma visibilidade minima. Outro problema tambem e' a equipe escolhida para o piloto. Geralmente funciona como algo do tipo "Opa ! Arrumamos agora um servico para o Adamastor". E' preciso definir antes o perfil e depois encaixar as pessoas. Na pratica, acontece o seguinte: temos essas pessoas disponiveis, vamos junta-las e tentar formar um projeto. O problema e' que nas empresas brasileiras e' comum o "esquenta-esfria" dos projetos, o que compromete a consistencia dos mesmos. No inicio, os recursos sao alocados, as pessoas estao motivadas e a alta administracao esta' convencida. Tres ou quatro meses depois, surge do alem um outro projeto prioritario e as pessoas comecam a ser realocadas, a euforia inicial passa, o dinheiro some, o lider e' substituido e o escopo do projeto e' reduzido pela metade. O final do projeto e' uma tristeza, pois geralmente opta-se por fazer uma solucao paleativa mais simples e baratinha para implantar o projeto. Quem ja' viu esse filme antes ? A outra questao do Saldanha levanta a questao da "culpa". Se eu pudesse escolher, diria que a "culpa" esta' na falta de consistencia do planejamento. So' para lembrar, planejamento nao e' o que voce vai fazer no futuro, mas o que voce vai fazer HOJE para atingir um objetivo futuro. Um exemplo pratico: qual e' a diferenca entre o Fulano que estudou ingles por 6 anos consecutivos e o Beltrano que esta' comecando o "Basico 1" pela 6a.vez (comecou, parou, deu um tempo, comecou de novo...) ? Continuidade, consistencia, planejamento, etc. A outra pergunta do Saldanha fala sobre "culpa". Se eu pudesse escolher, diria que a "culpa" esta' na falta de um planejamento consistente. Predomina infelizmente a visao do "apaga-incendio", da sobrevivencia, do "baixem a cabeca e remem rapido, homens" sem que alguem tenha a visao de qual margem do rio quer se chegar. Voces lembram a epoca em que as empresas tinham um Plano Diretor de Informatica para os proximos 3 anos ? Hoje os tempos sao outros, a competicao e velocidade sao muito maiores. No entanto, isso nao e' desculpa para nao fazer um planejamento anual minimo de TI. Chegue em algumas empresas e pergunte "Quais sao os seus 5 projetos prioritarios de TI para 2005 ?". Em muito lugar, voce vai ficar sem resposta ou ouvir "estamos tocando o barco". Gosto muito de uma frase do consultor Valdez Ludwig: "Na falta de tempo para pensar, faz-se o obvio." E o obvio e' muito aquem do que entendemos por inovacao. Um abraco, Baroni. Ricardo Saldanha - Diretor Executivo Intranet Portal wrote: >Baroni, você cita na sua apresentação, com muita propriedade, a necessidade >de considerar o portal corporativo um processo. Estamos totalmente ...snip... >espasmódicas e inconsistentes, que não conseguem provar antecipadamente o >valor que podem ter para a estratégia e para a organização? To: AUDITORIO From: Mark McElroy Subject: Re: [APGC2005] Pergunta para o Mark --------------------------------------------------------------- Msg de Mark McElroy --------------------------------------------------------------- Penso que já compreendi a questão. Se o que me é perguntado é se a segunda geração da GC é anti-corporativa, eu penso que a resposta é não. De todo. O que ela é é pró-verdade e pró-sustentabilidade. Se uma organização impede estes processos, então não é sustentável e deveria sofrer mudanças. No entanto, este problema não se limita a corporações. Indivíduos, grupos, associações, governos e mesmo as sociedades como um todo podem, igualmente, sofrer do mesmo problema. Portanto, não há nada na segunda geração da GC que seja anti-corporativa. Efectivamente, existem muitas corporações que procuram negociar de um modo mais sustentável, e a segunda geração da GC apoia-as nos esforços que desenvolvem para o fazer. `As 00:32 19/1/2005 -0200, Ricardo Vidigal da Silva disse: >conhecimento é um acto de descoberta, de insight, de experiência, de >fascínio, conceitos que jamais a linguagem das máquinas irá ter. Mas >nesta Sociedade cada vez mais tecnológica a 2a. Geração do GC não se >estará a criar num novo sistema de dogmas anti-corporativos ? To: AUDITORIO From: Mark McElroy Subject: Re: [APGC2005] Gestao do Conhecimento e Aprendizagem --------------------------------------------------------------- Msg de Mark McElroy --------------------------------------------------------------- Caro Paulo, Primeiro, a distinção que refere entre dados e informação é difícil de sustentar. Todos os dados têm um contexto. Portanto, se é o contexto que, na sua opinião, estabelece a diferença entre dados e informação, eu digo que não há diferença. De facto, penso que a distinção é desprovida de significado e distractora. Depois, sugere que o conhecimento consiste na capacidade para atribuir sentido à informação. Mas, atribuir sentido a alguma coisa é um acto mental, um acto de percepção sensorial, nada mais. O que produzimos, contudo, quando nos envolvemos numa atribuição de sentido são crenças e/ou afirmações. Produzimos crenças ou afirmações que são descritivas ou avaliativas. Isto é, produzimos conhecimento acerca de factos e valores. Reconhece, contudo, que nem todas as nossas crenças ou afirmações podem ser verdadeiras. Portanto, se me diz que até mesmo as falsas crenças são conhecimento simplesmente porque ocorrem nas nossas mentes, então penso que a sua definição de conhecimento não é útil. De facto, pode até ser prejudicial, na medida em que torna possível, para algumas pessoas, agir com base nas suas crenças sem que tenham em consideração a veracidade ou exactidão do seu pensamento. Penso, portanto, que a mais instrumental definição de conhecimento é aquela que entra em linha de conta com a veracidade. Penso, também, que o conhecimento pode ser exprimido fora das nossas mentes, tal como em documentos e através do discurso. O seu salto do conhecimento para a sabedoria, na minha opinião, é igualmente problemático. Não definiu sabedoria, nem explicou como esta difere do conhecimento. Terá que fazer ambas as coisas para que a diferença que sugere existir tenha significado. Depois, competências são habilidades/capacidades. Não penso que sejam uma forma de conhecimento, porque para se exercitar uma competência precisamos de dispor de outros recursos, não apenas o conhecimento acerca de como o fazer. Estes outros recursos podem incluir dinheiro, poder, autoridade, recursos naturais e físicos, assistência de outros, etc. Por fim, não penso que a sua visão das comunidades de prática seja convincente, na medida em que sofre de problemas que eu assinalei anteriormente. Até que e a menos que esses problemas sejam resolvidos, considero que a visão das comunidades de prática que fornece apenas conduziria a uma maior confusão, sendo, por isso, insustentável Cumprimentos, Mark `As 08:58 20/1/2005 -0200, Paulo Resende da Silva disse: >Temos assim: gestão da informação, gestão do conhecimento, gestão das >competências e gestão da aprendizagem organizacional. Temos em resumo: >gestão do "processo de consolidação da mudança desejada". Problema: quais os >contextos facilitadores desta mudança?