To: AUDITORIO From: Bryan Davis Subject: Re: [APGC2005] QUESTOES ----------------------------------------------------------- ---- Msg de Bryan Davis ----------------------------------------------------------- ---- Olá Carla, Antes de mais deixe-me dizer que ainda não preparámos nem aperfeiçoámos o molho secreto para um óptimo desenvolvimento de uma KIZ. Ainda estamos a experimentar várias receitas. Eis aqui alguns dos indicadores preliminares com que temos trabalhado mas estes serão apurados à medida que o nosso trabalhar avançar nos próximos meses. A um alto nível falamos da tripla linha de conhecimento (ou bottom-line). Para crescimento e desenvolvimento sustentáveis procuramos uma performance equilibrada nas três dimensões - a economia de negócio da KIZ; o desenvolvimento das pessoas, da comunidade e da sociedade do conhecimento; e a saúde do ambiente físico e social. Numa KIZ com boa performance quereríamos encontrar e medir dimensões tais como: - Capital Humano - altos níveis de educação e muitos talentos, artistas, cientistas - Capital Intelectual - pensamento avançado, modelos mentais, mentalidades, propriedade intelectual, patentes, repitação, diversidade e respeito pelos outros, adaptabilidade - Capital de Infra-estrutura - directorias e mapas de repositórios, recursos, perícia, e redes de conhecimento; comunidades de interesse e de prática; redes de instituições de educação superior - bibliotecas, universidades, laboratórios de investigação e desenvolvimento, institutos, think tanks, escolas de arte, tecnologia de suporte... - Capital Social - cultura e espírito partilhados onde a criatividade e a inovação são apreciados e suportados por todas as camadas; um respeito colectivo e interesse em proteger e cultivar o conhecimento e os costumes indígenos e locais - Capital de Relacionamento e Redes - extensas alianças e parcerias orientadas para o conhecimento também estaríamos à procura de: - uma governação respeitada incluindo a articulação e aderência a um conjunto de Princípios de Conhecimento; stakeholders terem fácil acesso a serviços de e-Governo; liderança de qualidade com o olho na economia do conhecimento; respeito pela lei e pelo regulamento; ambiente de confiança - com educação, acesso fácil a instalações de ensino e docentes de qualidade mundial - respeitar e tolerar a cultura, a história e os hábitos da região; histórias... - tecnologia: stakeholders têm acesso a ligação de alta velocidade à Internet; instalações high-tech para investigação e desenvolvimento agrupadas em áreas de inovação tais como distritos, parques de conhecimento - negócio: presença activa e mercados de conhecimento com bom funcionamento; grande concentração de negócios e serviços baseados no conhecimento; alto nível de empreendedorismo de conhecimento - comercialização de novas ideias e inovação; colaboração de conhecimento competitivo, e co-criação - qualidade de vida: áreas de habitação seguras que atraiam os trabalhadores do conhecimento; acesso a excelentes cuidados de saúde; moderna rede de transportes que cubra terra, mar, e ar - entretenimento e estilo de vida atractivo - acesso a modernas e diversificadas lojas, restaurantes, desporto, música, e experiências enriquecedoras de entertenimento - ambiente: baixos níveis de poluição, água limpa, parques e espaços verdes; acesso a geração de electricidade barata e saudável; uso de indicadores para monitorização da sustentabilidade. Pode existir uma hierarquia de métricas de desempenho / produtividade mas estas serão melhor definidas à medida que formos completando mais trabalho no conceito de KIZs. Cumprimentos, Bryan Bryan Davis President The Kaieteur Institute For Knowledge Management 67 Alberta Avenue, Toronto, Ontario, Canada. M6H-2R7 Tel: 416-651-1837 E-Mail: bdavis@kikm.org Internet Site: www.kikm.org We Help you solve knowledge problems ! To: AUDITORIO From: Andrew Parker Subject: Re: [APGC2005] QUESTOES ----------------------------------------------------------- ---- Msg de Andrew Parker ----------------------------------------------------------- ---- Carla, Desculpe pela demora na resposta. Estive em viagem. A questão do desenho organizacional é boa. Penso que existem numerosos aspectos do desenho organizacional que podem conduzir a maior colaboração. Em geral, organizações achatadas tem mais probabilidade de levar à colaboração do que as hierárquicas. Para além disso, é importante ter processos de planeamento e objectivos que explicitamente considerem a integração de funções / divisões. É também importante ter práticas de recursos humanos que promovam a colaboração. Por exemplo: recrutar pessoas que já se provaram como colaboradores, fazer da colaboração uma parte significativa na avaliação de desempenho, e planos de desenvolvimento profissional que ajudem as pessoas a desenvolver as suas redes pessoais. Além disso, são precisos líderes e uma cultura organizacional que encoraje a colaboração. Andrew To: AUDITORIO From: Irene Tinagli Subject: Re: [APGC2005] Pergunta de Ana Neves para Irene Tinagli ----------------------------------------------------------- ---- Msg de Irene Tinagli ----------------------------------------------------------- ---- Relativamente aos quadros, sim. A classe criativa tende a ser mais associada com o sector dos serviços, enquanto que no sector industrial está mais relacionada com certos tipos de indústria (tipicamente high- tech). É interessante notar que os países com menos classe criativa (Itália e Portugal) são os países que têm mantido a maior incidência da tradicional "classe trabalhadora". Resumindo, parece que estes países ainda têm de terminar a transição de um tipo mais tradicional de economia para um mais moderno. No que diz respeito aos dados sobre importação / exportação. Nós não tentámos relacionar a classe criativa com a importação / exportação de um país porque os factores que afectam essas dimensões são tantos que teria sido muito difícil interpretá-los e criar um argumento sobre o papel da classe criativa. Mas, como refere, visto pela perspectiva da "abertura" de uma economia este tipo de tabela teria tido um outro significado e teria, definitivamente, sido interessante. Vou pensar nisso para o meu próximo trabalho! Contudo, relacionámo-la com a exportação de tecnologia, e havia uma correlação positiva entre a classe criativa e a exportação de tecnologia. Quanto à sede das organizações, isso teria sido MUITO interessante, e nós pensámos nisso. O problema, pelo menos na altura em que a investigação foi realizada, é que não conseguímos encontrar suficientes dados de confiança que cobríssem, de forma homogénea, todos os países europeus. Pelo menos dados públicos. Mas se souber onde posso encontrar esses dados, ficaria grata. Seria algo muito interessante de analisar em relação à classe criativa. Entretanto, entendo o seu desalento com o desempenho de Portugal... Se serve de consolo eu sou de Itália, por isso fazemo-nos companhia no fundo da tabela! Irene To: AUDITORIO From: Irene Tinagli Subject: {Spam?} Re: [APGC2005] Pergunta para Irene Tinagli ----------------------------------------------------------- ---- Msg de Irene Tinagli ----------------------------------------------------------- ---- Olá Ana, Esta é uma excelente questão. Concordo totalmente. O conhecimento é uma base fundamental sem a qual não podemos passar. Mas em alguns casos a sua função é subvertida, ou pelo menos não é apreciada na sua totalidade, nos seus múltiplos aspectos. O conhecimento tem muitos elementos, e concentrarmo-nos só nalguns (ainda que importante) pode não ser suficiente para ser inovador e para competir no novo sistema económico. Deixe-me explicar melhor. Penso que é melhor começar por algumas questões e conceitos básicos que temos tendência a assumir. Devemos começar por perguntar, o que é conhecimento, o que é inovação, e qual a relação entre os dois. Parecem ser usados como conceitos semelhantes, mas será esse o caso? E como é que a criatividade entra em cena, que papel desempenha? Numa tentativa de ser resumida e sistemática, os pontos principais da minha argumentação são os seguintes: 1. O conhecimento é um elemento fundamental no mundo actual e é crítico para a competitividade, tanto ao nível das empresas como das comunidades - sempre o foi. 2. Mas o conhecimento é multi-facetado, tem componentes "explícitos" (formalizados em conhecimento, livros, patentes, novas tecnologias?) mas também tem uma forte componente "tácita" que se encontra nos indivíduos, nas suas experiências pessoais, na sua intuição, na sua criatividade. 3. A inovação não deriva automaticamente apenas no conhecimento formal, nem deriva só da tecnologia. É antes o resultado de uma contínua interacção entre almas e conhecimento: o formal, o explícito e o tácito. 4. Porém, sempre nos preocupámos mais com a primeira parte do conhecimento (o formalizado) e orientámos os nossos interesses, esforços e policies nessa direcção: construir infra-estruturas, investir em parques tecnológicos, criar novas escolas e universidades, digitalizar tudo, ou, ao nível das empresas, criar sofisticadas técnicas de gestão de conhecimento de forma a explicitar todo o conhecimento. Esquecemos da outra parte: a criatividade que se encontra dentro dos seres humanos, que é cada vez mais crítica no novo sistema económico, porque é o que transforma a tecnologia em novos produtos, serviços, ideias. Isso também precisa de investimento, de desenvolvimento, de um compromisso por parte das policies e das instituições. E não o tornar explícito, cultivá-lo como é: uma grande cultira tácita de conhecimento, ideias e criatividade. Esta é uma tarefa completamente diferente, requer policies e abordagens completamente diferentes do investimento e da gestão do conhecimento fo rmal. Sim, requer novas regras e atitudes. As sociedades que não incentivam e recompensam a criatividade individual, a diversidade, as ideias, mas se baseiam na hierarquia e burocracia e valorizam a obediência a normas sociais, terão dificuldade em ser sociedades inovadoras. Essa é a nossa perspectiva. 5. Assim, quando dizemos que os países têm de mobilizar as suas "energias criativas" ou nutrir e atrair talentos criativos não queremos dizer que sejam substitutos para o conhecimento, mas que são um complemento fundamental. Realçamos este aspecto porque tem sido esquecido desde há muito, e temos testemunhado imensos casos de cidades e regiões que investiram milhões de dólares em parques tecnológicos que ainda são caixas vazias e não conseguem perceber porquê. A mensagem que tentamos transmitir é que o conhecimento é mais do que "skills" e "tecnologia" e que há mais numa sociedade de conhecimento do que um parque tecnológico ou uma ligação à Internet: há uma cultura, uma sociedade que tem de ser receptiva, que tem de participar na criação e partilha de conhecimento e no clima geral da cidade. É crítico ter pessoas conhecedoras, mas é depois preciso dar-lhes uma oportunidade de se exprimirem de forma criativa, dar-lhes liberdade para serem elas próprias. Na verdade não conside ramos que as pessoas conhecedoras sejam, necessariamente, diferentes das criativas. A chave é ter uma cultura aberta que permita extrair o potencial criativo de TODAS as pessoas. É por isso que dizemos que a chave do desenvolvimento regional é desenvolver os 3 Ts: Talento (capital humano), Tecnologia e Tolerância. Nenhum deles, isolado, garante o sucesso: os três são necessários. Terminei agora um projecto fascinante sobre sociedade do conhecimento com o ramo de gestão de conhecimento das Nações Unidas. Os resultados são sumariados numa publicação das Nações Unidas que deve ser publicado na Primavera (de momento não posso dizer mais). O que quero dizer é que as Nações Unidas também está a reconhecer que o esforço no estabelecimento e no desenvolvimento de uma verdadeira sociedade de conhecimento vai muito além da quantidade de skills que se ensina e da quantidade de computadores e websites que se tem. Não quer dizer que os exclui, são componentes necessários, mas requer algo mais. Também tentámos desenvolver novas métricas, porque não podemos esperar mudar a maneira como as pessoas olham as coisas se não mudarmos a forma como as medimos. E isto é mesmo um grande desafio... Bem, isto é uma anticipação a um debate que ainda está em aberto... espero que esta resposta tenha ajudado a clarificar alguns aspectos.