A falta de apoio do Ministério da Justiça e do Trabalho
Os dubladores brasileiros do eixo Rio - São Paulo totalizam hoje pouco mais de 370 profissionais. O sindicato dos artistas (SATED-RJ) já encaminhou aos ministérios da justiça e relações exteriores, denúncia formal contra emissoras de TV a cabo que compram nos Estados Unidos programas dublados em português em território americano. A atividade é proibida tanto lá quanto aqui no Brasil. Empresas de fundo de quintal americanas recrutam brasileiros em situação irregular para dublar sua produção. O que se vê é uma enxurrada de trabalhos de péssimo nível artístico. O incrível, é que as emissoras compram essas produções e não questionam a origem. Já perdemos a conta da quantidade de representações que fizemos e até agora nenhuma atitude foi tomada. A propósito deste assunto, a jornalista e editora da revista TV SÉRIES, FERNANDA FURQUIM publicou em seu editorial de março de 1998: "... É muito fácil criticar a qualidade da dublagem brasileira. Em todo o mundo ela é valorizada como um trabalho de arte, com exceção - adivinhem? - do Brasil. Aqui é tão desvalorizada pelas emissoras (mas não por seu público) que os profissionais chegam a sentir vergonha de admitir serem dubladores. Sua valorização em outros países é tanta, que produtores como STEVEN SPIELBERG e GEORGE LUCAS, chegam a exigir eles mesmos a escolha de dubladores estrangeiros para seus filmes e séries. Se por um lado a dublagem ruim pode condenar um produto, a boa pode salvá-lo. Afirmar que a dublagem brasileira é inexpressiva é concluir erroneamente que todos os atores estrangeiros são expressivos e com boa dicção. Se um filme ou série é mal dublado, a culpa não é da profissão e sim da empresa que escalou um dublador despreparado para o filme e das emissoras que o aceitaram. Desqualificar ou condenar a arte da dublagem porque ela é inexpressiva e atrapalha o filme é afirmar que dubladores como LIMA DUARTE, NATÁLIA TIMBERG, IDA GOMES, ARY COSLOV, OTÁVIO AUGUSTO, FRANCISCO MILANI, ENIO SANTOS, FLÁVIO GALVÃO, BORGES DE BARROS, ALEXANDRE LIPPIANI, TONY RAMOS, DANIEL FILHO, DENIS CARVALHO, OSMAR PRADO, ORLANDO DRUMMOND, JOSÉ SANTACRUZ, MILTON GONÇALVES, ZEZÉ MOTA, MÁRIO LAGO e CLÁUDIO CAVALCANTI jamais deveriam ter escolhido a profissão de ator." O dublador vê o filme de grande sucesso com sua voz ser comercializado anos a fio. A ele é negada a participação nos lucros fabulosos que rende para a multinacional do cinema dona do filme e a emissora de TV que o exibe. Filmes e desenhos animados de grande sucesso são comercializados e o dublador não consegue reivindicar seus direitos sobre essa venda. Os poderosos simplesmente não admitem essa conversa. Mas há um dado animador neste panorama cruel e injusto: O SINDICATO DOS ARTISTAS na gestão de STEPAN NERCESIAN e BETH PINHO tem dado atenção especial à causa do dublador com presença constante nas assembléias da classe. A união das duas categorias Rio/São Paulo e a tão sonhada elaboração de um regulamento único para toda a classe já foi possível graças à ajuda do sindicato que financiou o transporte e alimentação dos profissionais mobilizados na campanha de unificação da classe. Quer um contato direto com o sindicato? Clique em SATED.
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